Dilma Rousseff presidente(a): Primeiras Impressões.

           Dentre as inúmeras percepções que rodeiam o acalorado cenário político que se faz antes e, principalmente, depois de uma votação de segundo turno, uma coisa é certa: esvaem-se as especulações sobre quem vai governar o poder e surgem as especulações sobre o que vai fazer aquele que conseguiu, por aval do povo, chegar ao posto de presidente do país. Dentre os partidários e os nulistas, dentre os analistas politicamente posicionados e emotivos positivamente ou negativamente perante o resultado das urnas e os céticos, surge minha contribuição, que, na busca de distanciar-me de sentimentos que venham a dominar meu discurso, busca lançar-se a fazer as primeiras impressões sobre o que será o governo Dilma Rousseff. Tal discurso, por ser de ordem mais imaginativa do que descritiva, afinal não está sendo redigido após um dia sequer de governo da presidente, busca, com a experiência a mim absorvida pela leitura de textos, da propaganda política na tv, e, sobretudo, da minha experiência durante os dias de exercimento do mecanismo de democracia in fact, que dará a luz direcionada para completar minha reflexão, compreender um ponto de vista que menos falará sobre expectativas pessoais e mais sobre chances que considero reais do governo Dilma Rousseff.
Outra ressalva cabe-se aqui, pois, sabendo, com toda legitimidade do tempo - afinal não pretende-se aqui imaginar-se uma receita ou uma profecia - que meu argumento venha a se desqualificar mais cedo ou mais tarde devido a uma ou outra ação política por parte da presidente não esperada por mim dentro de meu ponto de vista. No entanto, persisto em abordar algumas coisas que considero importante e que creio ser possível ver algum horizonte real. Mas não só me limitarei a olhar para o futuro. Acredito que esta minha análise só será possível se eu resgatar na memória e na experiência a reflexão sobre outros pontos de vistas - reacionários ou libertários - durante o processo de campanha eleitoral desse 2010. Por fim, atento para o fato de que não é minha ambição querer simplificar demais um processo complexo que é a política, principalmente a política brasileira, tão peculiar. Além disso, tenho total convicção de que é impossível perceber todos os fenômenos e detalhes observáveis nesta análise. Não é papel meu traçar um roteiro, um dossiê ou mesmo escrever páginas e páginas a fim de convencer ninguém. Apenas é uma contribuição a partir de um ponto de vista que utilizo, humildemente, a formalidade científica para tentar ter um mínimo de legitimidade para com os leitores de textos científicos, ainda que não esteja aqui analisando sob o prisma sociológico - minha área de formação - estas impressões. É na vontade de escrever este texto neste dia posterior ao resultado do segundo turno que vejo o meu sentimento e os meus juízos de valor atravessarem o prisma científico. No entanto, assim me conformo em escrever neste momento: sem tanta cientificidade e com o maior cuidado em me perder nos juízos de valor; este é apenas um ponto de vista que considero ser importante, pelo menos pra mim, de compartilhar com quem achar que tem algum valor.
                    Perguntamos algo que tem se apontado desde o primeiro turno, quase que convicção por parte das pessoas com que tive contato: por que consideramos esta uma das piores (ou talvez a pior) votação para eleger representantes da história do país? Esse argumento não se sustenta pelas vias técnicas de votação, mas pelas alternativas a candidatos, e neste caso não só limitadamente para o cargo de presidente.
                 

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