Resenha do livro “O que faz o brasil, Brasil?”

No livro do Antropólogo Roberto DaMatta “O que faz o brasil, Brasil?”, encontra-se o que é mais de peculiar no cotidiano brasileiro. No primeiro capitulo faz a distinção entre o brasil com letra minúscula do Brasil com letra maiúscula, que segundo DaMatta há um pouco de cada dele em nós, enquanto o brasil é tratado como um objeto sem vida, um pedaço de coisa que morre, o Brasil tem uma cultura, território, ou seja, é um país. Nossa identidade se constrói duplamente? Já que assimilamos ambos. Com a ajuda da Antropologia Social DaMatta irá buscar compreender essa dualidade. Continuando descreve sobre o que acha da cultura: “... para mim, a palavra cultura exprime precisamente um estilo, um modo e um jeito, repito, de fazer coisas. (p.17). Coisas estas que tem haver com costumes, condutas, hábitos, família, política, festas, etc. Considera essa nação como uma moeda, duas faces, onde temos uma jogada pequena (brasil), e uma jogada do autoritarismo políticos e econômicos (Brasil).

No 2º capitulo abri espaço para discutir a casa, a rua e o trabalho. Na casa está presente as mais intimas relações familiares, não importa como ela seja, tendo teto e parede é o que vale. O homem ou a mulher quando vão para o trabalho se depara com o amigo da casa, a rua, no final da jornada fica a ansiedade de chega nela adentrar e tomar aquele banho e ficar a vontade, pois essa é minha casa. A casa e rua são mais do que meros espaços geográficos, são modos de ler, explicar e falar do mundo, porque ali encontra historia e construção de vida. O trabalho faz parte da rotina, algumas pessoas se deslocam de pé, de trem, de carro para realizar suas tarefas cotidianas. Para DaMatta a idéia de residência é um fato social totalizante, na casa há tranqüilidade, calma, harmonia, na rua há luta, batalha, perigo, no trabalho tem concorrência, reclamação, chefe, batente. No entanto, essas três idéias se correlacionam, e faz parte da vida do individuo. Na rua se ver povo, na casa amigo, no trabalho colega. Portanto, na casa há leis que são facilmente quebradas, na rua nem no trabalho não é permitido, pois tem vigia. Mas há dias em que as regras são manipuladas, como por exemplo, na confraternização entre os colegas do trabalho, e festas como a parada dos homossexuais, carnaval. DaMatta comenta:

...A rua recompensa a casa e casa equilibra a rua. No Brasil, casa e rua são como dois lados de uma mesma moeda. O que se perde de um lado, ganha-se do outro. O que é negado em casa-como o sexo e o trabalho-tem-se na rua...(p.30)

No capitulo “A ilusão das relações raciais”, DaMatta analisa a mistura de miscigenação das “raças”, que alguns autores ver como problema para o construção da identidade nacional brasileira, procura entender a posição de liderança do branco ocidental. A teoria racista via no mulato a degeneração das raças. Termo que Agassiz defende, veja:

“... Que qualquer um que duvida dos males dessa mistura de raças, e se inclina, por uma mal-entendida filantropia, a botar abaixo todas as barreiras que as separam, venha ao Brasil”.(p.40)

Em seguida compara a relação racial entre Brasil e Estados unidos, enquanto no Brasil não tem um classificação formalizado como nos EUA, pois lá há varias divisões, por exemplo, tem escola de negro e escola do branco, ônibus do negro e ônibus do branco, bairro do negro e bairro do branco, diferente do que acontece no Brasil. Este admiti a intermediação do mulato, lá não, aqui prevalece o triângulo racial, lá o birracial. Para Sergio Buarque a mistura de raças era um modo de esconder as injustiças social contra o negro, índio e mulato, e a idéia de democracia racial não passava de um mito.

Sobre Comida e Mulheres DaMatta distingue o que é “cru e cozido”, enquanto o cozido permite a relação e a mistura de coisa do mundo que estavam separados, o crua é o oposto do mundo da casa, como um área cruel e dura do mundo social. Continuando discernir sobre comida e alimento, o primeiro tudo aquilo que pode ser ingerido para manter uma pessoa viva, algo universal e geral, a comida tudo aquilo que foi valorizado e escolhido dentre os alimentos. Nota-se também, expressões como “De-comer”, muito utilizada pelo brasileiro como forma de pedir comida, pão duro, gato pro lebre, água na boca, a boca na botija, com a faca e o queijo na mão, está por cima da carne-seca, citações de valor simbólico da cultura brasileira. O comes e bebes também está presente, quando se fala nisso, as pessoas já se animam, pois esperam comer do bom e do melhor, e de graça. Para DaMatta a comida define as pessoas: “dize-me o que comes e dir te-ei quem és”! (p.58). Diferenciar comida e comidas é importante para entender tal capitulo, o primeiro já foi discutido, mas vale salientar que se correlaciona com homem e mulher, pois comidas associam à sexualidade (“não cuspa no prato em que comeu”).

No 5º capitulo o autor vai procurar resposta sobre de que forma o carnaval ou mundo serve de teatro e prazer, afirmando que:

No caso do Brasil, a maior e mais importante, mais livre e mais criativa, mais irreverente e mais popular de todas, sem duvida, o carnaval... (p.71).

Ou seja, o carnaval cria certas situações que varias coisas são possíveis e outras devem ser evitadas. Ele é definido como “liberdade” e como possibilidade de viver uma ausência fantasiosa e utópica de miséria, trabalho, obrigações, pecado e deveres. É a distribuição teórica do prazer sensual para todos. Trocamos a noite pelo dia, não se fala em mascaras, mas em fantasias, esta permite passar de ninguém a alguém, as pessoas mudam de posição social.

No capitulo “As festas da Ordem” DaMatta compara o carnaval com tais festas, veja:

A festa carnavalesca requer tudo de mim: meu corpo e minha alma, minha vontade e minha energia. Mas as festas de ordem parecem dispensar essa motivação totalizada. Daí, talvez, essas regras rígidas de contenção corporal, verbal e gestual nos ritos da ordem. (p.84)

No 7º capitulo DaMatta disserta sobre algumas condutas que são peculiar ao brasileiro como a malandragem, o jeitinho, o despachante. O jeito é um modo pacífico e ate mesmo legitimo de resolver tais problemas, provocando essa junção inteiramente casuística de lei com a pessoa que a está utilizando. Jeito esse que se configura no jeitinho brasileiro- “você sabe com quem você está falando?”. A malandragem faz parte desse jeitinho, é uma de cinismo e gosto pelo grosseiro e pelo desonesto, o despachante, só pode ser visto quando damos conta da dificuldade de juntar a lei com realidade social diária.

No ultimo capitulo faz referencia aos caminhos para se chegar a Deus, tendo como foco a religião, que segundo DaMatta:

...é um modo de ordenar o mundo, facultando nossa compreensão para coisas muito complexas, como a idéia de tempo, a idéia de eterno e a idéia de perda e desaparecimento, esses mistérios parentes da experiência humana... (p.113)

Completa ainda:

A igreja..., é uma forma básica de religião, marcado talvez o lado impessoal de nossas relações com Deus. Um lado de fato, onde a intimidade eventualmente pode ceder lugar às regras fixas que conduzem a uma impessoalidade... nos cultos que legitimam de qualquer modo as crises de vida

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

DAMATTA, Roberto. O que faz o brasil, Brasil?. Rio de Janeiro: Editora Rocco.

Underground Sertanejo

[]Sofrido, oprimido

Calejado e franzino

Na areia seca

O calor forte

Esse povo que vive de sorte

Flagelando

Esperando a morte

Enquanto suas esperanças

Ja morreram faz tempo

[]Roupa rasgada, empoeirada

Essa é a realidade do

Underground Sertanejo

Que so vive no desejo

De nao viver só de sorte

[]O sorriso é constante

Banguelo, mas brilhante

Pés no chão

Encaliçando o passado

Deixando marcas a cada passo.

Tudo Azul: Uma analise sobre a pseudo-liberdade carnavalesca e suas transformações nos processos históricos

Pesquisa desenvolvida pelos estudantes do 5º semestre de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas. Autores: Wanderson Gomes; Willander Nascimento. O Tudo Azul é um bloco de rua alagoano, mais precisamente proveniente da cidade de Murici, interior que fica, mais ou menos, uns 45 km da capital. O Tudo Azul foi um bloco fundado em 1944 e é hoje um dos maiores blocos de rua do estado de Alagoas com a média de 30 mil foliões. Mas o principal aspecto das festividades carnavalescas são as modificações nas rotinas dos indivíduos que delas desfrutam. O interior perde sua característica de interior e ganha nova identidade. Seus habitantes, dias antes do bloco sair, modificam suas atividades rotineiras, se preparam. Construindo um ritual que perdura por décadas e que são transmitidos de geração em geração. Os processos históricos naturalmente nos revelam mutações nos rituais criados pelo próprio homem. Tais rituais concentram em si uma necessidade fundamental de existência: de se fazer sentir; de se fazer notar; de se eternizar ações. Perdurando dentre as posteriores gerações. As mutações desenvolvem-se de acordo com as condições existenciais de cada ser, mas concentra sua força na coletividade. Transformando assim as atividades de um determinado grupo adaptável no seu estado comum. Assim a coletividade age como modelador de suas relações com o meio, e de suas práticas rotineiras, onde através de seu fator ativo nas demais camadas sociais consegue influenciar um indivíduo, que passará a adequar-se aos novos mecanismos desenvolvidos pela maioria. Desta forma, a referente pesquisa transcende a uma mera reflexão sobre um bloco carnavalesco, ela tem como núcleo um desses importantes ritos mantidos pela coletividade: O CARNAVAL. E sua proposta é analisar as mutações causadas por essa mesma coletividade na tentativa de adaptar-se a relativos contexto históricos, ou seja, vamos percorrer historicamente pelo carnaval da época lúdica ao tempos modernos. Esta observação nos remete analisar as expressões populares atuais não esquecendo seus processos históricos que modificaram a forma, o modelo, os objetivos e consequentemente o próprio carnaval. De acordo com a seguinte pesquisa, temos o objetivo de discorrer sobre um conceito que remete a uma detalhada explicação dos papeis exercidos pela massa no período carnavalesco, o conceito da pseudo-liberdade. Durante o carnaval, fazendo valer das abordagens de Roberto Da Matta, os papeis socialmente construídos se invertem. A ordem social e colocada em segundo plano, a interação da festa imprime um sentimento de ``liberdade`` nos indivíduos. O próprio sentimento de liberdade, com tempo limitado, exerce um poder implícito que atua como mecanismo de conformidade na população; caracterizando assim, o que entendemos por pseudo-liberdade.

O Novo Ópio do Povo.

Marx diz que o ópio do povo é a religião através de análises com sua teoria da estrutura e superestrutura. Depois, o ópio do povo poderia ser entendido por outros autores como o bem-estar social que a ideologia e as condições capitalistas criaram juntamente com seu desenvolvimento, tornando essenciais para tal sistema a relação direta entre consumo e produção em torno do lucro e só isso já seria o suficiente para a manutenção do sistema e pra abrir outros caminhos que reforçariam o capitalismo (a moda, a mídia, etc.). Pois bem, a situação hoje não parece diferente em termos de capitalismo, com suas contradições eternas e sua - já compreendida por nós - forma de organização social desarmônica. Mas o que chama atenção hoje é a indiferença, em se tratando de Brasil ( logo, não abordando necessariamente o capitalismo mundial, embora talvez no mundo ocorra do mesmo jeito talvez, ou não, mas de certeza e por isso, eu abordo nesse momento somente o nosso povo tupiniquim inseridos nesse sistema social) em relação aos problemas gerados pelas características do capitalismo atual. Como exemplo, dentre os de todos os dias que poderíamos colher no nosso extenso país, peguemos a situação calamitosa da crise na saúde do Estado de Alagoas atualmente. Um problema do Estado e do Governo que estão sem condições de manter para o setor público (e entenda-se público no sentido mais amplo que se possa ter) da saúde funcionando por irregularidades no salário, fruto muito provavelmente dos desvios de verba em todos os lugares do país que fazem refletir os impactos justamente no setor populacional. É ridícula a situação e condição que o médico do setor público se encontra hoje, com seu salário de fome pra atender um grande contingente de pessoas todos os dias e locais inadequados de trabalho e falta de equipamentos, juntamente com seus auxiliares que em certos hospitais que cobrem o SUS não receberam ainda nem seu primeiro salário do ano. A situação como sabemos através dos jornais é clara e nos indigna. Não só em Alagoas, mas no Brasil todo, vêem-se hospitais e postos de saúde fechando as portas a mando da vigilância sanitária, que faz seu papel de tentar pressionar as reformas nos lugares que não deveriam ser considerados centros de atendimento médico, mas verdadeiros chiqueiros devido a falta de fiscalização e de verba para manutenção desses centros. Não só na saúde, mas nas diversas áreas públicas da sociedade que precisam se manter através do capital, como a escola e as reformas comunitárias. E sabemos principalmente que esta falta de verba não é fruto de uma pobreza nos cofres públicos, visto que os impostos que cada um de nós somos destinados a pagar somam montantes capazes de ao menos atender as necessidades urgentes do povo brasileiro, se não fosse a corrupção. A corrupção hoje se traja de um fator cultural muito peculiar no Brasil, o famoso “jeitinho brasileiro” a que encontramos em todos os lugares, em todas as profissões, sempre em busca de algum retorno positivo a quem pratica-lhe ou as regalias a quem o praticante oferece aos que saem na vantagem com isso. O “jeitinho brasileiro” hoje se tornou sinônimo de esperteza, quando no fundo prepara potencialidades de corrupção em cidadãos que dele se vale hoje, mas que depois pode cometer crimes públicos cada vez maiores e que seus praticantes continuam se sentindo legitimados em suas ações por cometerem tal “jeitinho”, típico do Brasil. Cotidianamente é possível perceber as pessoas querendo passar outras para trás como fruto desse fator cultural típico, onde o que se importa é a sua vantagem e não a conseqüência negativa para os outros. Pois bem, dá para notar a semelhança com a situação da injustiça hoje do setor público e dos que se satisfazem com os desvios de verba com essa esperteza do Brasileiro? Não seria essa corrupção brasileira fruto também de um “jeitinho brasileiro” em potencialidade? Tanto que é difícil você estar hoje num cargo de deputado com empregos vagos de assessoria (onde o indivíduo que viesse ocupá-lo poderia atrapalhar suas regalias do cargo e talvez denunciá-lo por qualquer eventual ato que este considerasse como erro) e seus familiares estão desempregados e não dar um “jeitinho” para empregá-los também. Crime de nepotismo. Jeitinho Brasileiro. Você se importa mais com sua família do que outra, por isso que quer antes de tudo dar garantias de que sua família está empregada e estável numa sociedade de concorrências. Isso não é crime se você fizer isso fora do setor público, naturalmente. Mas acontece que o errado, e onde tem sido rotineiro se ver acontecer, são as influências pessoais de indivíduos grandes em instituições públicas onde teus familiares via nepotismo assume os cargos. Após essa explanação, gostaria eu de levantar uma questão nesse momento. O capitalismo prepara a desarmonia. Cada lugar tem seu modo de ser desarmônico e por isso cada lugar também tenta resolver seu problema. A educação no sul não é tão problemática quanto a do nordeste, por exemplo. Portanto, o objetivo desse texto não seria outro senão abordar os motivos da indiferença humana e falta de cidadania de grande parte do povo brasileiro. Finalmente, creio que nossa indiferença também é fruto de um ópio: não a religião, não o bem-estar social. Mas, acima de tudo, a nossa própria cultura. Uma cultura capitalista e brasileira. Tenho minhas convicções de que ela contribui para manter-mos sedados enquanto somos vítimas de crimes e perdemos nossa saúde e conhecimento. O que vocês acham disso?

A CULTURA CONTRACULTURAL NA FORMA DE MÚSICA

No objetivo de agarrar o maior número de pessoas, as bandas atuais utilizam-se de métodos que descrevem as paixões ou ações de determinado grupo, normalmente classificado como maioria, para marcar sua estabilidade no trabalho com essa procura por identificação. O que acontece é que, enquanto se põe esse método numa sociedade desregrada, não é difícil imaginar que a descrição nas músicas passem a ser o que tal sociedade cultiva por conseqüência. No caso da nossa, a sociedade tem um fator básico da diversão por consumo de drogas lícitas e também muito provavelmente pelas ilícitas.

Sendo assim, a identificação das pessoas – que faz causar naturalmente alegria e diversão por isso – nessa sociedade é musicada sob os temas do álcool, cigarro e demais drogas, bem como os efeitos que as mesmas produzem.

Porém não é normal perceber que as conseqüências e os riscos sejam cantados em mesma freqüência. Pelo contrário, o que se vê são cada vez mais as bandas aprofundando-se nos temas que até antes era digno de não se “curtir”, mas que passam a se banalizar na forma de cultura mais difundida do planeta.

Podemos aplicar este método de análise ainda em qualquer sociedade atual. Utilizei particularmente a cultura “contracultural”, como assimilei chamar essa corrente cultural, do nordeste, do qual sem o exame da mesma, jamais teria essa reflexão. Porém, que se percebam através dessa teoria das paixões da cultura que podemos transpor esse método e obter as mesmas causas, porém com diferenças nas conseqüências, dependendo de que estilo musical se está sendo difundido em determinada sociedade. Se limitarmos esse estudo ao Brasil, cuja nação é dotada de um acervo cultural diferenciado imenso, podemos perceber e regionar, e ainda interligar as questões sociais em culturais. No nordeste, por exemplo, o forró tem predominância. Mas o que se diz “forró atual”, dividido ainda entre tantas outras vertentes, em suas misturas com o axé baiano, o funk e o brega, é, por incrível que pareça, resultado e reflexo mais da própria sociedade do que da tradição, não eliminando a importância da tradição como gênese que deu base para que as novas bandas sobrepusessem o estilo com novas músicas. Em outras palavras, o estilo forró não responde ao caso que se forma nessa cultura atual, e sim a própria sociedade daquela região que é reflexo e depois alvo dessas músicas de conseqüências incômodas. O estilo forró é apenas um aglutinador de pessoas que pode ser moldado por quaisquer tipos de letras.

Em outros determinados estilos a conseqüência nem chega a afetar tanto uma sociedade, bem como há estilos que não causam tantos efeitos à sociedade e que são inofensivos. Poderia eu dizer ainda que há estilos que não causam tantos efeitos à sociedade e que são ofensivos, mas reflito que, como uma sociedade que cultiva o que a cultura contracultural produz, isso não passaria de uma questão de tempo até que esse “estilo que não causa tanto efeito à sociedade e que são ofensivos” passassem a ser um gosto popular também.

Enfim, para experimentar essa minha postulação que se pode usar esse método em qualquer sociedade, usemos o mesmo no funk carioca atual e vejamos o quanto de riscos futuros pra sociedade podemos encontrar. Afinal, comparando-se uma cultura à outra, o funk não parece tão diferente do forró atual em termos de fácil assimilação popular e (in)conseqüências. O estilo pode ser diferente, mas a causa – atingir o maior número de pessoas que se sintam identificadas com o estilo – e a conseqüência – a não só banalização dessa cultura, mas as mentes novas que podem influenciar, e assim dando espaço a uma criação duma geração bem mais banalizadora que a atual -, são praticamente as mesmas. Eu acredito que para dar uma solução ao antieticismo da nossa atual cultura, que a educação de qualidade assuma papel fundamental na vida das pessoas, uma vez que é de onde a educação se ausenta que essa cultura surge. Afinal, culturas não se extinguem, não se deixam de existir; apenas se transformam naquilo que a sociedade é, pois uma molda a outra alternadamente. Se a sociedade é deficitária em educação, é natural que surjam culturas desregradas e sem nenhum limite de valor ético.

Com uma educação necessária, que por sinal jamais existira no nosso país, é que a cultura pode voltar a ganhar um status que não seja classificado como contracultura.

O QUE É CULTURA CONTRACULTURAL?

Aos meus olhos, a cultura contracultural é um termo utilizado para classificar a cultura gerada onde há a ausência total ou parcial da educação. É uma criação popular que não segue os padrões éticos de uma sociedade, e que por haver em sua característica a ausência da educação, não possui limites nem percepção de suas conseqüências. Sua existência dá, principalmente, pela subsistência financeira que gera, vide os condicionados sucessos do momento em que podemos duvidar que tais músicas sejam absurdos de estarem naquela posição de destaque. Mas é uma cultura como qualquer outra, com suas características distintas e seu direito de existir, assim como uma sociedade existe de diversas formas. Porém, ao levarmos o estudo de tais culturas funcionalisticamente, percebemos que os fatores de expressão de tal cultura é proporcional à ausência de educação daquela sociedade. Seria esta a gênese da cultura contracultural – que nada tem a ver com o movimento artístico do dadaísmo das décadas de 40-50.

Sociologicamente, a ausência de educação numa sociedade provoca profundas raízes que tornam seus indivíduos direta ou indiretamente afetados. Os que mantêm-se, de alguma forma, entre os que detém uma educação necessária para seu desenvolvimento social, de nada lhes garante – pois os mesmos sofrem as conseqüências da ausência da educação que lhes fora ausente (vide universidade pública), tanto pela família como pelo sistema de ensino básico, muitas vezes defasado nas escolas públicas(vide Brasil). Quando não se mantêm, os indivíduos, inseridos no fator falho que lhes fora a educação daquela sociedade, se resumem a determinadas funções, a que seu conhecimento necessário o limitara. Ou seja, ao passo que sua consciência – preparada e desmotivada por sua educação falha – não valoriza a educação, o mesmo se encontrará inserido cada vez menos nas profissões de nível técnico avançado e cada vez mais nas profissões de necessidade braçal ou que se permita fazer com pouco ou nenhum nível técnico. Isso quando, por revolta ou necessidade última, o indivíduo não passe a ser mais um agente criminoso.

Portanto, tal como uma sociedade, a cultura segue os mesmos caminhos. Onde há a ausência da educação, tal cultura será significativamente afetada, com suas próprias características, e suas próprias conseqüências, e ISSO é o que importa sociologicamente.

Já mencionei anteriormente e de forma exemplificada como essa forma pode afetar as pessoas quando usei o exemplo da cultura como a música, forma cultural mais difundida no Brasil. Funcionalisticamente, procurei encontrar ligações entre uma sociedade e a cultura de quem ela se alimenta. Percebi a educação como fator determinante de uma cultura tanto como de uma sociedade, ao passo que uma sociedade está ligada intrinsecamente à uma cultura, e vice-versa. Tentei encontrar respostas sobre como determinados estilos se mantém destacados como “sucessos nacionais” e “regionais”. Talvez seja ainda necessário abordar um outro tema para que nós tenhamos uma visão mais universal sobre o controle da cultura para determinadas sociedades, as tentativas de domá-la para determinados fins; esse tema pode ser encontrado facilmente nos estudos sobre o poder de manipulação da mídia para fins capitalistas e de domação da sociedade pelo estado. A comercialização da cultura, a criação pessoal do ser para a venda são exemplos da finalidade capitalista – e é o que ocorre atualmente com a música e que tenho discorrido então sobre os dois textos que abordam a cultura contracultural. Preferi usar o funcionalismo para denunciar suas conseqüências, tão inconseqüente nas mentes das pessoas que não entendem que tipo de música – de cultura – as gerações atuais e futuras estarão sendo moldadas.

Claudionor Gomes.

Culturas Contraculturais

Minha participação como cientista social me faz procurar entender e explicar o presente, sem a apologia de que existem coisas na sociedade que não fazem sentido. Se não nos é inteligível, ora para outros é, pois foi por esses que o objeto que estejamos falando ainda exista.

Minha visão é essencialmente à procura de uma normatização do agrupamento social, seja ele em que dimensão participar. Mas para se preocupar em normatizar algo, é fundamental - talvez mais até do que qualquer finalidade normativa - conhecer o que se pode ser descrito, seja para ser reaproveitado, criticado, enfim, como base de iniciação sobre qualquer dissertação a respeito do tema.

Não espero ser visto como um contraculturalista; pelo contrário, me preparo a tratar a cultura como uma forma polêmica, se em certos momentos passa a ser cultura ou mera produção comercial sem um fundamento cultural. Mas se cultura pode ser um hábito em geral acolhido pela sociedade, talvez não haja regras sobre o que é ser cultura e o que não é.

Enfim, gostaria de salientar que em certos momentos a cultura parece tão ameaçadora - ameaçadora sim, pois não se pode valorizar a cultura na mente do senso comum que chega a pensar: "Veja o que é cultura, nasce bela e se dimensiona para essa insignificância. Nossa, quanta evolução, hein?" Mas a cultura não evolui, mas para eles sim, e que se escurrace o estudo das culturas enquanto não reconheçam como produtos e só, e não uma produção cultural o que se vê atualmente.

Não pretendo proteger o senso comum, porém a própria cultura atual assume uma característica com aspectos dadaístas - logo pode ser um ponto para que a cultura atual seja considerada uma cultura.

Bom, se a cultura atual é cultura reconhecida, isso não é revoltoso. Mas seu caráter de contracultura - mais devastador que o dadaísmo da guerra pelo fato de ser essencialmente capitalista e agora sem sentido, não por um movimento de crítica artística e sim por não haver nenhuma ênfase poética e de cunho social como antes -, é algo digno de esclarecimentos. Se existissem medições culturais, o que é mais cultural e o que não é, ou qual produção humana é cultura e qual não é, essa contemporânea seria chutada forçosamente para fora de um padrão cultural.

A questão se mantém para os cientistas a favor ou contra a agressão da cultura atual, por ser mais comercial que ideológica, com algum sentido além do dinheiro.

Estamos certos de que os modos culturais se renovam e se invam em todos os momentos. A história comprova isso. Mas minha preocupação atual com a cultura é justamente o fato do caminho que ela está tomando e a influência social que ela exerce.

Mas afinal, é a cultura que guia a sociedade ou a sociedade que guia a cultura?

Sabemos que uma está intrinsecamente ligada à outra que fica difícil responder a essa questão, mas devemos nos abster realmente que acontece os dois. Ou a cultura já existe e torna a sociedade sua existenciadora, ou a sociedade monta uma cultura para se manter como uma sociedade.

Finalmente, a cultura atual se vê entregue ao dinheiro de uma forma tão excessiva que para ela não existe consequências. Na verdade, a omissão da consequência é o que faz tal cultura existir. Músicas diárias com temas ligados à traição, ao sexo sem limites e sem respeito, à ingestão de drogas partem das camadas menos abrangentes da educação no Brasil e se espalham por todo o país, por todas as classes sociais. A explicação desses tipos de músicas serem gerados nas camadas pobres ou periféricas da sociedade reforça minha teoria de que a cultura agora está se formando pela FALTA DE EDUCAÇÃO necessária que se encontra ausente. Pois do contrário, músicas assim sequer seriam vistas com bons olhos (partindo para uma crítica pessoal e sendo assumidamente contra esse tipo de cultura, não consigo entender quais bons olhos podem existir para essas aparições, ou se eu escrevi foi um erro por tentart encontrar palavra equivalente ao que queria demonstrar).

Portanto, para finalizar, cheguei à conclusão que o chamado "sucesso do momento" já foi há anos reflexo da sociedade, a exemplo dos cultos cantos boêmios dos anos cinquenta, dos anos rebeldes da jovem guarda dos anos 60-70, do grito de liberdade dos anos 80 e, dos anos 90 para cá, da venda das letras para o mercado e a transformação da música temática para a música defasada.

RESUMO CRITICO DO LIVRO A PRÁTICA DA PESQUISA

No livro “A prática da pesquisa” do autor Cláudio de Moura Castro, encontram-se algumas características e concepções sobre a epistemologia da ciência como prática de pesquisa. Obedecendo a uma estrutura lógica e cientifica de pensamento. Distingue o conteúdo cientifico de outras atividades. Além disso, mostra exemplos de como a pesquisa num determinado momento pode apresentar julgamentos de valor, deslizes e tautologias. Em suma apresenta um conjunto de metodologias que os cientistas principalmente os sociais devem observar para compreender a realidade social, já que se trata de estudos dos fenômenos sociais, em que o próprio cientista está inserido. Dando aos alunos de Ciências Humanas uma aprendizagem de técnicas e método de pesquisa cientifica para a elaboração de monografias.

Prosseguindo a discussão sobre a prática da pesquisa, nota-se que o cientista inventa teorias, mas não inventa resultados, quando parte para o estudo de certo objeto, carrega consigo teorias já apreendidas na formação acadêmica- liberdade de criar- porém os resultados não podem ser cogitados sem embasamento cientifico. Pelo fato do cientista está imerso no meio social, as emoções e persuasões são motivações para o ponto de partida, mas não pode interferir nos resultados da pesquisa, é indispensável manter a originalidade cientifica. As teorias são modificadas constantemente- a realidade é dinâmica- no entanto, os dados encontrados pela pesquisa não as substituem. Opinião e crença não é um discurso cientifico, pois no mundo real não é comprovadas cientificamente, além de violar as regas metodológicas.

Aristóteles indubitavelmente foi o pioneiro da ciência, utilizou a biologia para classificar os dados científicos, classificar é apenas um dos processos científicos, é necessário generalização, leis e fórmulas, para a comprovação dos fatos. Com isso, o cientista terá economia de informações. Padronizar os procedimentos de observação e comunicação são imprescindíveis para a linguagem cientifica. Para a ciência só é válida uma pesquisa se certos números de investigadores fizerem as contradições que verifique se tal linguagem é metodologicamente lógica. À ciência deve manter distanciamento do conhecimento leigo ou cotidiano, são contaminados por valores e preconceitos. Os investigadores restringem o sentido da palavra, cuja mesma palavra pode ter outro significado, havendo deslize na pesquisa.

À ciência é uma ferramenta para compreender o mundo que nos cerca, traduzir a idéia central numa linguagem mais simples. A observação cientifica capta o erro na pesquisa e está preocupada em controlar a qualidade do dado e como foi obtido. Para a lógica da ciência, o cientista deve fazer as diferenças entre os tipos de conhecimentos: Teológico, Filosófico e o Cientifico, que por sua vez, traz confiabilidade para a pesquisa. A metodologia cientifica é uma arte onde cientista é o artesão, que trabalha delicadamente para a construção do conhecimento lógico.

À ciência moderna surgiu com dois pensadores que deram sua contribuição para a pureza metodológica: Bacon-método indutivo, evidência empírica, observação da natureza; René Descartes - método dedutivo (raciocínios abstratos), enquanto, o primeiro vai observar e propor caminhos para a ciência, o segundo brinca com as teorias e depois vai atrás dos dados. A ciência economiza descrições, substituindo-as por regras, princípios e leis. A realidade é observável, que o cientista controla os métodos de pesquisa para a validação dos resultados, controlar tais, pertence ao caráter cientifico. Definir momento e local são importantes para o investigador. Não há fato sem teoria nem teoria sem fato, pois a teoria dá sentido e descreve os fatos de uma forma sistemática. Os resultados de uma pesquisa não podem ser influenciados e controlados pelos pesquisadores, conhecer o limite da ciência é importante, além do mais, não se pode inventar dados, esconder informações, falsificar estatísticas, copiar trabalhos dos outros sem dar créditos, a dicotomia do processo sujo e limpo são fundamentais para não contaminar o produto final.

Os neopositivistas defendem a pureza da ciência em dualidades: factuais-conceitos substantivos da ciência; lógicos-definições claras e sem ambigüidade. O objetivo da ciência é descrever a realidade de forma objetiva e eficiente. Alguns pensadores utilizaram como forma de conhecimento o método dialético: Tese, Antítese e Síntese. Para tais, a filosofia apenas livraria a ciência da metafísica. O investigador deve ter respeito à neutralidade, evitando com isso proposições imprecisas ou frouxas, transmitidas pelos julgamentos de valor ou ideologias.

Os critérios de verificação afirmam o que não sabemos, os da falsificação (Karl Popper) afirma o imaginado e a análise da linguagem (Jonh Wilson):

1- “conhecer o que quer dizer o enunciado, 2- conhecer a maneira correta de verificá-la, 3- dispor de evidência suficientemente boa para que possa ser acreditado.”(p.47).

Um ponto fundamental que leva o cientista a trabalhar certo tema são seus próprios valores, que segundo Max Weber deve ser remediado da compreensão do social, ou seja, separação do homem da ciência do homem de valores. Contudo, numa pesquisa cientifica o pesquisador deve tomar cuidado com os disfarces das tautologias, as hipóteses escorregadias e as grandes teorias, já que a descoberta é fruto do sonho, da imaginação e da criatividade. Os critérios para a escolha do tema são particularmente determinados pela convivência do investigador na comunidade social.

A classificação da pesquisa depende da aplicabilidade, originalidade da contribuição, da complexidade da estrutura teórica e do entrelaçamento de variáveis. Diferenciar pesquisas: aplicada e fundamental faz parte do trabalho que antecede os projetos e planos da pesquisa final, enquanto, uma dar um estudo sistemático para resolver problemas concretos, a outra é apenas curiosidade intelectual. A pesquisa cientifica elimina os falsos caminhos (intervenções).

Diante de todos os métodos de pesquisa apresentados neste trabalho, as pesquisas qualitativas e quantitativas são sem sombra de dúvida as que mais se complementam. Cada uma chega onde a outra não consegue chegar. O autor conduz seu texto com uma forma morfológica desenvolvida de forma a mostrar ao leitor as diferenças entre as duas, feito de tal forma em que possam ser compreendidas com clareza. Até aqui tudo que se construiu nos textos comentados desaparece, já que quando se fala em pesquisa qualitativa falamos de uma “soberana”.

Soberana porque tem vida própria e atua em territórios inexpugnáveis para métodos quantitativos. As grandes teorias da educação são puramente qualitativas, desde Montessori a Vygotsky.

Já a ciência quantitativa oferece certezas e alcances que a qualitativa não tem. O pesquisador quantitativo tem algumas características inconfundíveis como:

Ter uma preocupação obsessiva em controlar variáveis para melhor entender o impacto isolado de cada uma delas;

Não se contentam com pouco, sempre em busca de leis gerais;

O quantitativista exorciza a complexidade.

É visível que diante de tudo que foi apresentado, reforçamos o que foi visto no texto, a importância das pesquisas quantitativas e qualitativas.

Visando um maior entendimento das questões, o autor separou cada pesquisa comentando e apresentando todos os métodos e técnicas de cada uma.

Documentos, observação passiva, entrevistas, grupos de discussão, observação participativa, são alguns dos métodos qualitativos, mas o método mais complexo é o trabalho com números, este precisa de um estudo avançado e bem cuidadoso, pois uma pequena falha pode botar todo um trabalho a risco.

Nas ciências sociais a pesquisa quantitativa é a mais usada, seus métodos complexos e interrogativos se correlacionam com as idéias dos estudiosos da área.

Uma pesquisa tem que ter um tempo de vida em que não sacrifique o conteúdo, o autor é bem claro com as informações, mostra o que é preciso para se ter um conteúdo bem trabalhado e um resultado satisfatório, onde seja claro para todos os que têm acesso às informações.

Pesquisas de qualquer tipo têm que ser bem claras, mostrar o resultado com firmeza sem ou com baixa margem de erro, para que possa ter uma credibilidade dos que a usaram como meio de informação. É importante ressaltar que é um trabalho neutro, pois o resultado de uma pesquisa pode ter impactos fortes, tanto positivamente como negativamente. Em geral, os objetivos de uma pesquisa devem determinar sua natureza e não o contrário.

É de conhecimento geral, que crenças e religião influenciam os leitores. E uma boa pesquisa deve ser desenvolvida no intuito de mostrar a verdade independentemente da opinião das pessoas. Sua responsabilidade é informar com clareza, mas, se suas informações vão ser discutidas, trabalhadas e aceitas cria com isso um campo de discussão para metodologia da pesquisa.

Tudo que foi lido e discutido até este ponto nos faz concluir que uma pesquisa de qualidade não pode fugir do roteiro, deve ir desde o que quer descobrir, até seu relatório final. Tudo feito com clareza e imparcialidade, estabelecendo um resultado justo e claro e de impacto significativo diante do que se esperava da mesma.

Estratégias Políticas

O que um (a) candidato (a) a Prefeito (a) deve fazer para ganhar a eleição. Estratégias: 1- escolher uma estratégia de marketing adequada; 2- definir os segmentos-alvo de eleitores; 3- saber ler o meio ambiente e identificar riscos e oportunidades; 4- desenvolver um conceito e uma identidade; 5- evitar situações, atos e discursos inadequados; 6- analisar os concorrentes e seu perfiel político; 7- ganhar projeção em entidades representativas; 8- definir com muito cuidado a estratégia de comunicação; 9- preparar um bom plano e um eficiente cronograma; 10- arregimentar gurpos para trabalhos voluntários; 11- formar uma ampla base de alianças; 12- escolher equipes profissionais de assessores; 13- ter disposição e método de trabalho; 14- conhecer as pesquias de opinião, mas não se impressionar; 15- realizar periódicas avaliações de sesempenho; 16- ter flexibilidade e exibir jogo de cintura; 17- desenvolver boa presença em comícios; 18- preparar-se para o debate; 19- comportar-se como um vencedor; 20- identificar a força econômica do município; 21- selecionar os melhores cabos eleitorais; 22- ouvir com atenção os pedidos; 23- procurar atender aos compromissos; 24- cultivar as amizades e laços pessoais; 25- aparentar força e poder, mas não perder a modéstia; 26- ganhar a confiança dos grupos de pressão; 27- preparar um bom programa de identidade visual; 28- organizar encenações de alto impacto; 29- escolher uma palavra ou uma frase de comando; 30- marcar presença constantemente; 31- fazer uma boa comemoração ou preparar-se para a próxima campanha.

POESIA: ASSISTENCIALISMO

POESIA: ASSISTENCIALISMO TROCAR O VOTO POR: DENTADURA; REMEDIO; FEIRA; MATERIAL ESPORTIVO... É COMUM NA ELEIÇÃO... O BRASILEIRO GOSTA DE SER ASSISTIDO! ALUGA-SE ATÉ A FAMILIA. O ELEITOR DEIXA SUAS CONTAS PENDENTES: ÁGUA, LUZ, TELEFONE... PENSA SER ASSISTIDO NA ELEIÇÃO. - A ELEIÇÃO ESTÁ AÍ PRA ISSO? -TENHO UM PADRINHO QUE É AMIGO DE FULANO. TEREI MINHA VAGA! ESSE FOI O ACORDO!

O porquê da limitação

Este artigo foi escrito pela reitora Ana Dayse Resende Dórea, publicado no Jornal Gazeta de Alagoas em 20/07/2008.

Honrando sua tradição e prestando mais um serviço à sociedade alagoana, a Gazeta de Alagoas, numa edição dominical recente, lançou luzes sobre as precariedades vivenciadas pelos vizinhos (habitantes das áreas em nosso entorno) do campus da Universidade Federal de Alagoas na capital.

Pesquisadores, professores e estudantes, como bem ressaltou a reportagem, há muito realizam atividades de ensino, pesquisa e extensão as quais direta, indireta ou transversalmente, tratam de temáticas voltadas a reverter os lastimáveis indicadores sociais destas populações, carentes de tudo.

Este esforço traz resultados refletidos em ações imediatas ou em concretos diagnósticos essenciais para fundamentar políticas públicas em áreas vitais como saúde, educação, habitação e infra-estrutura. Neste sentido estamos cumprindo nosso papel. Como centro de formação e irradiador de saberes, estamos executando nossa missão institucional.

Mas por quais motivos, então, não conseguiríamos ajudar nossos vizinhos? Quem responde é a própria matéria. Nestas comunidades, entre as quais a chamada Cidade de Lona que se converteu em vexatório exemplo, as ações da Ufal esbarram na quase ausência do Poder Executivo estadual e municipal. Em muitas delas, o quadro de miséria é contundente demais. As mazelas são pulverizadas demais. A exclusão é acentuada demais.

E na maioria delas décadas de inércia e inanição de sucessivos governos vêm comprometendo o desenvolvimento das ações acadêmicas capitaneadas pela Ufal, chegando muitas vezes a inibir a aplicação de orientações derivadas de pesquisas ou a execução de projetos concebidos no ambiente acadêmico. E aí reside o porquê da limitação narrada, com pertinência, por aquela reportagem.

Enquanto universidade, nos fazemos presentes e atuantes, colaborando com destemor e com trabalho sério, inseridos no cotidiano dos que nos cercam e dando nossa parcela de auxílio rumo a condições dignas de vida para essas comunidades. Entretando, se unilateral, nosso empenho perde em força, em alcance e em longevidade.

Os resultados de nossa iniciativa serão quanto mais perceptíveis na medida em que contemos com mais dinamismo por parte do Estado e do município, em especial deste último. Não temos nos furtado de nosso compromisso, principalmente o da extensão junto a essas populações.

Porém, necessitamos de respostas mais ágeis por parte das administrações públicas, parceiras e protagonistas que são deste processo.

A inserção do jovem ao mercado de trabalho

O desenvolvimento capitalista brasileiro ocorre de maneira propensa a exclusão do jovem, pois se de um lado falta políticas públicas que possa resolver o problema, do outro lado a desqualificação, já conseqüência de uma educação precária que o governo oferece; e não só isso, mas também a falta de experiência, que o mercado exige sem escrúpulo algum.

Desde os tempos mais remotos da formação do Estado brasileiro, bem como, a imersão do país aos índices e estatísticas de desenvolvimento da população que ocorre de forma emergente que o Brasil até pela sua progressão um pouco tardia em relação aos países mais desenvolvidos da Europa; não sabe o que fazer com os jovens, e mesmo com todos os mecanismos governamentais, um posicionamento efetivo para resolver o primeiro emprego juvenil ainda continua sem solução.

A grande causa relevante de discutirmos a inserção do jovem ao mercado de trabalho é que o Brasil é essencialmente um país de jovens com um numero estupidamente grande deles submetidos à ociosidade. Porém a mentalidade juvenil dos vinte anos para cá, sofre profundas modificações na sua essência principalmente no parâmetro de como o jovem enxerga hoje o mercado de trabalho, como ele se ver inserido nele, e como o mercado analisa a imersão destes, que muitas vezes vem sem experiência alguma. Vamos analisar, é lucro para uma empresa contratar uma pessoa com nesse perfil? De imediato claro que não, mas se pensarmos a longo médio prazo, o jovem com toda a sua vontade de aprender, irá sim gerar lucros formidáveis para a empresa; se esse é o objetivo voraz do mundo capitalista hoje.

O ingresso juvenil ao mercado de trabalho deve ser debatido, e está sendo por longas datas, mas não será resolvido enquanto não ocorrer, como já foi dito, políticas públicas efetivas que possam realmente tirar os jovens da ociosidade e por conseqüência pelo menos minimizar o grade problema da imensa quantidade de jovens envolvidos na criminalidade; e resolver o problema da imersão do jovem ao mercado de trabalho.

Sons Subversivos

Alguma luz me fez refletir sobre o que vou escrever aqui hoje.

Sei que as condições muitas vezes de lugares de pesquisa parecem ser perigosas quando põe em risco a imparcialidade de uma descrição de qualquer cientista social.

E se ele não tiver métodos nem modos propícios, ele poderá diretamente passar para um nível pessoal e subjetivo.

Mas não mais falarei sobre o que os cientistas desse ramo sabem desde os primeiros dias em sua unidade acadêmica.

Procuro aqui relatar experiências vividas como forma de pesquisa - pois como não poderia deixar de ser, onde há campo de trabalho há trabalho, e como todos aqueles fatos com o qual procurei embasar esse meu raciocínio estiveram fora de mim sem nenhuma especulação pessoal, seria realmente de bom grado relatá-lo como uma pesquisa científica.

Pois bem.

Durante a noite de ontem estava eu numa pequena boate de espaço totalmente fechado, onde se podiam ver as caras das pessoas somente com as luzes que se acendiam.

O gelo seco espalhava-se intermitentemente pela escuridão ao longo de todas as pessoas que ali escutavam música de um DJ paulista ou carioca que estivera fazendo uma espécie de turnê por nosso estado. A combinação som-iluminação-efeitos tornava aquele espaço passível de se dançar, e foi o que muitas pessoas o fizeram. Durante toda a noite.

Poderíamos até aqui ler esse texto, mas ainda sem entender o sentido. Até agora foram tudo panos de fundo para que o ambiente fosse relativamente necessário sobre a indagação posterior por parte de mim.

Durante um período de quase 3 horas completas estive nesse local - certo de que poderia me divertir - mas sabia que para minha própria satisfação seria necessário outros tipos de música a quais me rendo e que sabia que jamais tocaria naquele lugar. Portanto, eu me considerava neutro diante de todo e qualquer fato que ali se sobrepusesse. Sem restringir minha ordem de análises, procurei ver os fatos e imaginá-los imediatamente por sua finalidade. Tentei levar em consideração diversos fatores, tais como:

* As pessoas têm uma geral filosofia de que aquelas músicas são somente para se divertir como ali estava ocorrendo;

* O ambiente de estréia da nova iluminação abrigou centenas de pessoas das quais não conhecia suas respectivas identidades, porém sabia o motivo de terem ido - a diversão com talvez um pouco de curiosidade.

O que importa é que não se vira nenhuma dessas pessoas paradas diante das músicas que variavam naquele lugar, a não ser eu e outra pessoa, sem a qual não iria ser possível ir para este local tentar automaticamente passar a analisar o que aqui relato. Os estilos musicais oscilavam entre música eletrônica, funk, pagode, reggae e forró. E essas características são consideradas normais para uma boate, o que me faz pensar em generalizar esse fato em todos os domingos que pessoas se reúnem por este mesmo propósito naquele local. A diferença seria que o número de frequentadores não fosse o mesmo todos os dias. Mas deve-se levar em consideração que apenas uma pessoa iria inúmeras vezes para este mesmo lugar, sob os mesmos propósitos.

Tendo em vista todos esses fatos acabei montando diretamente um raciocínio final: quais as consequências de se estar em lugares assim? Temos que nos ater aqui a uma coisa: jamais levaria em conta o que EU indagasse sobre minhas próprias consequências, se o que me importava era justamente saber o que AQUELE conjunto social estaria ganhando ou perdendo. Isso significa que essas consequências não podem ser vistas subjetivamente como se fossem minhas consequências. Prosseguindo, tomei a liberdade de indagar naquele momento, naquele lugar, naquelas condições em que muito me assemelhava às pessoas, se não fosse a ingestão de álcool por parte delas e da falta de motivos por parte de mim em aproveitar aquela noite como qualquer um. Desejei ressaltar isso porque considero uma pesquisa social que seja totalmente empírica, onde só se pode relatar aquilo em que se pode pesquisar concretamente. Talvez é aí que esteja meu limite de subjetividade durante essa pesquisa: a escolha do método.

Pois bem, o que mais me chamou a atenção e me fez ter uma visão acima de qualquer pensamento ingênuo daquelas pessoas foi realmente levantar quais as consequências possíveis daquele conjunto de fatos. Mas vamos entender o que eu considerei: os fatos por si só, acredito eu, não levam as pessoas a isso, pois se assim fossem eu estaria também agindo da mesma forma que todos, já que eu estava lá. Sou prova disso. Outra relevância é que as pessoas tinham muitas das músicas - das quais eu não costumava escutar em minha região - com suas respectivas letras na ponta da língua. Isso pode ser "sintomas" de músicas que se repetiam naquele mesmo lugar durante todos os dias em que ele estivesse aberto.

Fator importante para se encontrar respostas para minha finalidade-mor deste texto: a própria música.

Eu acredito que a música exerce muito mais do que a vontade de se divertir. Em qualquer lugar, se você tem alguma preferência musical, poderá agir rebaixando outros estilos ao ouví-los. Enquant0 que, ao ouvir suas próprias canções escolhidas, um sentimento de satisfação estará dentro de você. Isso é fato. Mas vamos levar essa consideração ao ambiente ao qual escolhi pra relatar.

Eu procurei respostas que me envolvessem nas certezas daquelas consequências. Acho que as encontrei, mas antes de revelá-las, devo informar as consequências que se tornam O PONTO IMPORTANTE desse texto.

Num lugar propício, onde a liberdade se parece assegurar as pessoas de diversas razões, já que o sentimento de liberdade por ter pago para entrar e por isso ter direito de estar ali, livre, se combina com muito o que se vê depois dos portões daquela casa de show.

Sabemos que a fiscalização quando não-rígida permite a entrada de menores de 18 anos nesses lugares. Quando o que importa é a venda de ingresso, nada de justo se pode interessar. Muitos seguranças só barram pessoas quando elas entram com algum material que machuque alguém lá dentro. E a casa de show não exibe conteúdo adulto, por isso é liberado para gente que seja um pouco mais jovem que 18 anos.

Dentro de um espaço relativamente pequeno e fechado, as pessoas fumam e a fumaça não escoa senão dentro do próprio nariz dos fumantes ou das pessoas não-fumantes, que sofrem mais com isso. Os jovens têm mais contato com álcool, cigarro e qualquer outra droga que possa ser oferecida no local. A fiscalização não proíbe nesses lugares o consumo de drogas lícitas por parte dos jovens, visto que o álcool ingerido lá dentro é vendido pela própria casa de show. Por fim, quem procura esse caminho não nasce com esse desejo.

A partir de contatos desde a infância ou em qualquer outra idade a pessoa está passível de aprender a viver nessas condições passíveis de serem novos frequentadores destes mesmos locais e consequentemente usuários dessas mesmas drogas. E o caminho possível que leva essas pessoas a este "estilo de vida", se é que podemos chamar isso, é justamente capacitado, a forma cultural mais presente na vida do ser humano. Basta vermos a alta possibilidade de a música influenciar as pessoas, com toda sua alienadora aparência de que é inofensiva.

A música é altamente passível de conspirações, e como ela se apresenta atualmente em nossa região, com suas apologias ao uso de substâncias que desnorteiam o ser humano, se torna perigosa e influente para todas as camadas populares.

Portanto, finalizo este texto dando importância às principais coisas aqui tratadas: a influência musical pode tornar a sociedade indiferente da imprudência que se vê hoje no consumo de drogas lícitas, pois fazem o indivíduo, principalmente os mais ingênuos, entrarem neste tipo de mundo à procura de normalização junto à sociedade que este pertence.

Escrito por Nô Gomes.

1968 - e agora, quarenta anos depois, "o que será que será"?

Há quarenta anos transformações culturais em escala global redefiniram os padrões sociais: cinema, música, sexo, política, ciência, tudo enfim foi tocado por um sentimento de mudança que até hoje ergue bandeiras. Muitas das reivindicações sociais atualmente em pauta são heranças de 1968, onde o desejo de liberdade foi capaz de superar as mais duras formas de repressão. Essa efervescência cultural só foi possível, no entanto, devido a tal contexto histórico: repressão sexual, governos totalitários, censura e unilateralidade cultural dominavam o cenário social até então. Fronteiras bem definidas entre ideais antagônicos permitiram a ambos os lados o reconhecimento do conflito e a identificação da atitude necessária.

Hoje a contra cultura é vendida nas prateleiras dos shopping centers e nas bancas de revistas das esquinas, as músicas e filmes de protesto e a arte de vanguarda - se é que de fato existem, diriam Adorno e Horkheimer - são veiculadas sem censura, as "causas minoritárias" já gozam de considerável espaço no "parlatório da democracia", em fim, esse clima de harmonia e plenitude dos direitos civis difere completamente da realidade daqueles anos de chumbo. Da mesma forma, com certeza os escritos de Kerouac, o sex appeal de Marilyn Monroe ou Brigitte Bardot, a figura de "Che" e as canções de Chico Buarque não surtem mais o mesmo efeito que tiveram em suas épocas, e ainda para ilustrar o caráter paradoxal desses exemplos significativos a citação de Belchior "os filhos de Bob Dylan amantes da Coca-cola". Seria então correto adotar hoje a mesma conduta e seguir os mesmos preceitos de tão distante realidade? Muitas das causas criadas naquele contexto permanecem ainda como sonhos, mas outras tantas já são realidades, a atual situação política, em se tratando de valores democráticos, talvez tenha sido o ideal de ontem, a diversidade cultural colore as ruas, a liberdade de expressão nunca foi tanta assim como o acesso as tecnologias da comunicação. A expressão cultural daquele ano é um marco e deve sim ser lembrada, mas não se deve recorrer a isso de maneira tão saudosista como costuma ser, afinal, não podemos nos esquecer que só foi possível porque existia a contra partida. As causas conquistadas por essa revolução já estão aí para que novas fronteiras sejam rompidas a partir dos novos parâmetros impostos pela dinâmica do desenfreado "Carro de Jagrená" de Giddens, que é nada mais que a opressão em forma de progresso. Cada nova dificuldade reclama uma atitude diferente. Como disse Caetano Veloso sobre a possibilidade de um novo 1968, no mais novo livro de Zuenir Ventura que trata do tema, "pra ser igual teria que ser completamente diferente". Segundo Marcuse as bases de uma transformação social foram lançadas naquele contexto, em que além da antiga luta pelos direitos trabalhistas, causas mais particularizadas expressam as necessidades da vida moderna como as reivindicações dos direitos das mulheres, dos negros, da conscientização ecológica, dos homossexuais, pelas pesquisas com células tronco etc. Tudo por uma realidade socialmente mais justa. Contudo não se pode ir além sem que se icem as âncoras do passado.

No panorama atual o inimigo é invisível e a coerção dissimulada e, por isso mesmo, mais eficiente. Primeiro é preciso conhecer o problema para depois se resolver a questão, pois é oculta qualquer forma de resistência. Caso contrário, novas e velhas causas serão vistas como eternas utopias, resucitadas por saudosistas sem propósito que na falta de problemas para se combater remoem as feridas de uma realidade que já não existe. Enquanto isso a exploração continua sendo exercida sob os aplausos de opressores e oprimidos. Se é que se pode fazer essa distinção.

Lévi-Strauss e o Estruturalismo: vivos ainda?

Estive pesquisando sobre a corrente estruturalista de Lévi-Strauss e caiu-me um questionamento que me fez refletir sobre a eficácia de seu método: teria o estruturalismo ainda algum papel atuante em nossa sociedade, incluindo novas pesquisas sociais sobre seus métodos?

Se estiver vivo, Lévi Strauss estará completando esse ano seu centenário. De fato, seus escritos - O pensamento Selvagem, Tristes Tópicos, Antropologia Estrutural, As estruturas elementares de parentesco - foram febre entre os cientistas de diversos campos da época, quando apresentado seu método lá pelo período da Segunda Guerra Mundial. Sua visão de separar as sociedades quentes e frias também marcou profundamente o método estruturalista, que como o próprio nome já informa, tem a ver com estruturas.

São justamente as infra-estruturas que Strauss procura em seu campo. Tanto quanto ele, houveram vários outros estudiosos que também se utilizaram do método que consiste em transformar o concreto em abstrato e depois novamente em concreto com o intuito de tornar o objeto analisado em completa separação do seu fator histórico (é a sincronia no lugar da diacronia). Que o digam o psicólogo Wund e o linguísta Saussurre.

O fato de decompor os objetos e analisá-los sincronicamente teria trazido resultados aos campos da psicologia e da linguística. Tanto sucesso fez o estruturalismo em suas publicações que tornou-se Lévis-Strauss um célebre nome naturalmente encontrado na Antropologia, Sociologia, Filosofia e Psicologia.

Mas não duvidando da genialidade deste autor, volto sobre meus questionamentos: teríamos alguma forma de pesquisar os fatos atuais baseados no método de decomposição estruturalista?

Vamos tomar algumas relações próprias do estruturalismo: utilizando o método nas ciências sociais, existe sociedades quentes e frias. As quentes, segundo Strauss, seria as que tinha sua história registrada, e por isso ficara comprovada que elas estavam progredindo, estando em constante formação tecnológica. Por outro lado, as sociedades frias são as que não tinham registros históricos e seus valores do passado estavam descritos apenas nos mitos. São estas sociedades, digamos, primitivas.

Ora, coube-me de imediato em minha mente: seria Strauss eurocêntrico? Será que sociedades primitivas não possuíam a capacidade de progredir também só por não terem uma história registrada?!

Mas foi realmente a razão descrita por Strauss que pairou posteriormente em minha cabeça: é claro que as sociedades primitivas não buscam o progresso!!! Elas não são movimentadas para cima como a sociedade capitalista! Se levarmos em conta o ideal capitalista, veremos que o que vale realmente é o fato de se fazer valer o progresso. Imagine 10 anos as mesmas coisas acontecerem tecnologicamente, imagine 10 anos nós usando o mesmo orkut, sem nenhuma mudança! Refleti e descobri, o capitalismo é uma sociedade que abomina sua própria mudança, mas que não vive sem mudanças em suas células! Se elas não morrem para outras entrarem e terem seus momentos de brilho para depois morrerem novamente, elas concerteza ansiariam pela morte do corpo!

A morte do sistema!

Mas vamos ver as sociedades ditas frias:

Elas se posicionam de maneira totalmente estática, estando elas sobrevivendo sem progresso nenhum, suas tecnologias são muitas vezes as mesmas dos antepassados, as lendas e rituais são o único documento histórico que mais se tem por entre as pessoas! Afinal, elas morrem e seu aprendizado fica, já que uma característica de um povo, primitivo ou não, é levar os conhecimentos através das mentes posteriores para a cultura não perder sua identidade.Imagine nossa sociedade sem tv, do jeito que a gente conhece, e de repente nos tiram tudo! Agora imagine uma sociedade indígena ainda inexplorada pelo capitalismo sem nunca saber o que é uma tv! Os índios vivem sem usar msn!!! Incrível, não??!

Na verdade, eles não almejam o progresso, por que não sabem o que são essas tecnologias, nem vivem no ritmo capitalista de mundo. Tampouco foram ensinados a consumir como nós.

Enfim, estas comparações a partir de Strauss me fizeram ver o quanto somos passíveis de inovações em nosso sistema. Somos menos saudáveis do que sociedades "primitivas", ainda existentes. Me perguntava até ontem se ainda existiam indígenas desconhecidos no Brasil, e hoje mesmo vi no jornal índios tentando atirar flechas nos helicópteros que sobrevoavam a Amazônia. Depois desse fato, não tive dúvidas!

Não tenho mais dúvidas também da eficácia atual do método estruturalista. Não porque se comprovaram os exemplos de sociedades quentes e frias, pois essas existem desde que o capitalismo é capitalismo. Mas sim outro fato importante nos dias atuais: a mudança na causa de crimes e de prostituição.

Minha próxima reflexão talvez tenha sido uma teoria que já existira no próprio estruturalismo: o método é usado também para tratar das invariantes para definir os fatos variantes. Isso se coloca justamente na questão do crime e da prostiruição. Ambos são diacrônicos, ou seja, existem levando em consideração seus fatores históricos. Mas pelo estruturalismo, a "estrutura" do crime e prostituição é a mesma em todos os tempos, ou seja, causam seus mesmos efeitos sempre. Ninguém nunca vai dizer que ser vítima de um crime é maravilhoso em diferentes tempos da vida humana! Portanto, a estrutura do crime e da prostituição existem independente dos tempos. Passa a ser um objeto transformado em abstrato e visto sincronicamente. Estamos usando completamente um método estruturalista.

Agora, encontrada essas invariantes, podemos destinguir o que varia naturalmente, ou seja, o que faz parte do tempo. Pois bem:

No crime - que antes era visto (não nos olhos de Durkheim, como um ato ignorado pela sociedade) por motivos de revolta, marginalização do indivívuo desempregado que procura de todas as formas ter sustento todos os dias -, nota-se que indivíduos de classe média, portanto sem nenhum motivo de cometer crimes, passam a cometê-los por prazer ou outras causas que não se explicam como fora o crime visto antes.

Na prostituição, por sua vez, o comércio do sexo existia pelo fato de pessoas não terem como trabalhar e consequentemente não se sustentarem. Chega a ser semelhante aos motivos do crime em sua primeira visão. Porém, com a facilidade de ganhar dinheiro através do prazer, muitas pessoas deixam de trabalhar ortodoxamente (essas pessoas já possuem dinheiro e vida possível) para se dedicarem por vontade própria à prostituição por ser um trabalho não tão pesado e que rende muito mais dinheiro.

Esses fatos são os que me fizeram pensar e repensar até que finalmente afirmara eu:

O estruturalismo continua existindo com toda a força!

Nô Gomes

 
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