O tempo de Deus
Dilma Rousseff presidente(a): Primeiras Impressões.
O sentido
Momentos com Deus
Ciência
Considerações a respeito do luto e outros sentimentos socializados
Todos os dias parecem correr normalmente (logo, sendo rotineiro, logo, um cotidiano qualquer) durante todo o mês, durante todo o ano. O ser humano parece que não está preparado para receber choque de informações por ver o seu mundo girar sem nenhuma sobreconsciência da própria existência. Dessa forma, quando tais informações passam a compartilhar a vida de um indivíduo em determinado dia, ele modifica todo o seu cotidiano, ainda que talvez já seria de se esperar tal informação. Em minha sociedade, pequena e interiorana, mas que reflete a conduta ocidental do luto, se estou com meu aparelho de som ligado alto no cotidiano, quando o momento é intercalado por uma informação como o luto, tudo se modifica e sou proibido, seja por meus parentes, seja pelo imperativo socialmente determinado ao qual me sinto obrigado a obedecer caso as pessoas com quem convivo, ou mesmo meus vizinhos, não me vejam indiferente quanto à situação. Já tive conhecimentos de casos em que enquanto uma pessoa falecera e estava a ser velada no "clima" de luto, o vizinho simplesmente ligara seu som e tratara as coisas como indiferentes, como parte da rotina, como a continuação do cotidiano qualquer, como "tanto faz, tanto fez", de forma a causar ira em quem se solidarizava com o luto ou quem instalara esse luto em si.
Uma Nocão Geral Sobre a AYAHUASCA
A descaracterização dos povos indígenas


Sistema Partidário Brasileiro Pós Constituição de 1988
Capital Social
Representação no Brasil
O papel dos colegiados na Gestão Escolar
Resenha do livro “O que faz o brasil, Brasil?”
No livro do Antropólogo Roberto DaMatta “O que faz o brasil, Brasil?”, encontra-se o que é mais de peculiar no cotidiano brasileiro. No primeiro capitulo faz a distinção entre o brasil com letra minúscula do Brasil com letra maiúscula, que segundo DaMatta há um pouco de cada dele em nós, enquanto o brasil é tratado como um objeto sem vida, um pedaço de coisa que morre, o Brasil tem uma cultura, território, ou seja, é um país. Nossa identidade se constrói duplamente? Já que assimilamos ambos. Com a ajuda da Antropologia Social DaMatta irá buscar compreender essa dualidade. Continuando descreve sobre o que acha da cultura: “... para mim, a palavra cultura exprime precisamente um estilo, um modo e um jeito, repito, de fazer coisas. (p.17). Coisas estas que tem haver com costumes, condutas, hábitos, família, política, festas, etc. Considera essa nação como uma moeda, duas faces, onde temos uma jogada pequena (brasil), e uma jogada do autoritarismo políticos e econômicos (Brasil).
No 2º capitulo abri espaço para discutir a casa, a rua e o trabalho. Na casa está presente as mais intimas relações familiares, não importa como ela seja, tendo teto e parede é o que vale. O homem ou a mulher quando vão para o trabalho se depara com o amigo da casa, a rua, no final da jornada fica a ansiedade de chega nela adentrar e tomar aquele banho e ficar a vontade, pois essa é minha casa. A casa e rua são mais do que meros espaços geográficos, são modos de ler, explicar e falar do mundo, porque ali encontra historia e construção de vida. O trabalho faz parte da rotina, algumas pessoas se deslocam de pé, de trem, de carro para realizar suas tarefas cotidianas. Para DaMatta a idéia de residência é um fato social totalizante, na casa há tranqüilidade, calma, harmonia, na rua há luta, batalha, perigo, no trabalho tem concorrência, reclamação, chefe, batente. No entanto, essas três idéias se correlacionam, e faz parte da vida do individuo. Na rua se ver povo, na casa amigo, no trabalho colega. Portanto, na casa há leis que são facilmente quebradas, na rua nem no trabalho não é permitido, pois tem vigia. Mas há dias em que as regras são manipuladas, como por exemplo, na confraternização entre os colegas do trabalho, e festas como a parada dos homossexuais, carnaval. DaMatta comenta:
...A rua recompensa a casa e casa equilibra a rua. No Brasil, casa e rua são como dois lados de uma mesma moeda. O que se perde de um lado, ganha-se do outro. O que é negado em casa-como o sexo e o trabalho-tem-se na rua...(p.30)
No capitulo “A ilusão das relações raciais”, DaMatta analisa a mistura de miscigenação das “raças”, que alguns autores ver como problema para o construção da identidade nacional brasileira, procura entender a posição de liderança do branco ocidental. A teoria racista via no mulato a degeneração das raças. Termo que Agassiz defende, veja:
“... Que qualquer um que duvida dos males dessa mistura de raças, e se inclina, por uma mal-entendida filantropia, a botar abaixo todas as barreiras que as separam, venha ao Brasil”.(p.40)
Em seguida compara a relação racial entre Brasil e Estados unidos, enquanto no Brasil não tem um classificação formalizado como nos EUA, pois lá há varias divisões, por exemplo, tem escola de negro e escola do branco, ônibus do negro e ônibus do branco, bairro do negro e bairro do branco, diferente do que acontece no Brasil. Este admiti a intermediação do mulato, lá não, aqui prevalece o triângulo racial, lá o birracial. Para Sergio Buarque a mistura de raças era um modo de esconder as injustiças social contra o negro, índio e mulato, e a idéia de democracia racial não passava de um mito.
Sobre Comida e Mulheres DaMatta distingue o que é “cru e cozido”, enquanto o cozido permite a relação e a mistura de coisa do mundo que estavam separados, o crua é o oposto do mundo da casa, como um área cruel e dura do mundo social. Continuando discernir sobre comida e alimento, o primeiro tudo aquilo que pode ser ingerido para manter uma pessoa viva, algo universal e geral, a comida tudo aquilo que foi valorizado e escolhido dentre os alimentos. Nota-se também, expressões como “De-comer”, muito utilizada pelo brasileiro como forma de pedir comida, pão duro, gato pro lebre, água na boca, a boca na botija, com a faca e o queijo na mão, está por cima da carne-seca, citações de valor simbólico da cultura brasileira. O comes e bebes também está presente, quando se fala nisso, as pessoas já se animam, pois esperam comer do bom e do melhor, e de graça. Para DaMatta a comida define as pessoas: “dize-me o que comes e dir te-ei quem és”! (p.58). Diferenciar comida e comidas é importante para entender tal capitulo, o primeiro já foi discutido, mas vale salientar que se correlaciona com homem e mulher, pois comidas associam à sexualidade (“não cuspa no prato em que comeu”).
No 5º capitulo o autor vai procurar resposta sobre de que forma o carnaval ou mundo serve de teatro e prazer, afirmando que:
No caso do Brasil, a maior e mais importante, mais livre e mais criativa, mais irreverente e mais popular de todas, sem duvida, o carnaval... (p.71).
Ou seja, o carnaval cria certas situações que varias coisas são possíveis e outras devem ser evitadas. Ele é definido como “liberdade” e como possibilidade de viver uma ausência fantasiosa e utópica de miséria, trabalho, obrigações, pecado e deveres. É a distribuição teórica do prazer sensual para todos. Trocamos a noite pelo dia, não se fala em mascaras, mas em fantasias, esta permite passar de ninguém a alguém, as pessoas mudam de posição social.
No capitulo “As festas da Ordem” DaMatta compara o carnaval com tais festas, veja:
A festa carnavalesca requer tudo de mim: meu corpo e minha alma, minha vontade e minha energia. Mas as festas de ordem parecem dispensar essa motivação totalizada. Daí, talvez, essas regras rígidas de contenção corporal, verbal e gestual nos ritos da ordem. (p.84)
No 7º capitulo DaMatta disserta sobre algumas condutas que são peculiar ao brasileiro como a malandragem, o jeitinho, o despachante. O jeito é um modo pacífico e ate mesmo legitimo de resolver tais problemas, provocando essa junção inteiramente casuística de lei com a pessoa que a está utilizando. Jeito esse que se configura no jeitinho brasileiro- “você sabe com quem você está falando?”. A malandragem faz parte desse jeitinho, é uma de cinismo e gosto pelo grosseiro e pelo desonesto, o despachante, só pode ser visto quando damos conta da dificuldade de juntar a lei com realidade social diária.
No ultimo capitulo faz referencia aos caminhos para se chegar a Deus, tendo como foco a religião, que segundo DaMatta:
...é um modo de ordenar o mundo, facultando nossa compreensão para coisas muito complexas, como a idéia de tempo, a idéia de eterno e a idéia de perda e desaparecimento, esses mistérios parentes da experiência humana... (p.113)
Completa ainda:
A igreja..., é uma forma básica de religião, marcado talvez o lado impessoal de nossas relações com Deus. Um lado de fato, onde a intimidade eventualmente pode ceder lugar às regras fixas que conduzem a uma impessoalidade... nos cultos que legitimam de qualquer modo as crises de vida
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
DAMATTA, Roberto. O que faz o brasil, Brasil?. Rio de Janeiro: Editora Rocco.
Underground Sertanejo
[]Sofrido, oprimido
Calejado e franzino
Na areia seca
O calor forte
Esse povo que vive de sorte
Flagelando
Esperando a morte
Enquanto suas esperanças
Ja morreram faz tempo
[]Roupa rasgada, empoeirada
Essa é a realidade do
Underground Sertanejo
Que so vive no desejo
De nao viver só de sorte
[]O sorriso é constante
Banguelo, mas brilhante
Pés no chão
Encaliçando o passado
Deixando marcas a cada passo.
Tudo Azul: Uma analise sobre a pseudo-liberdade carnavalesca e suas transformações nos processos históricos
Pesquisa desenvolvida pelos estudantes do 5º semestre de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas. Autores: Wanderson Gomes; Willander Nascimento. O Tudo Azul é um bloco de rua alagoano, mais precisamente proveniente da cidade de Murici, interior que fica, mais ou menos, uns 45 km da capital. O Tudo Azul foi um bloco fundado em 1944 e é hoje um dos maiores blocos de rua do estado de Alagoas com a média de 30 mil foliões. Mas o principal aspecto das festividades carnavalescas são as modificações nas rotinas dos indivíduos que delas desfrutam. O interior perde sua característica de interior e ganha nova identidade. Seus habitantes, dias antes do bloco sair, modificam suas atividades rotineiras, se preparam. Construindo um ritual que perdura por décadas e que são transmitidos de geração em geração. Os processos históricos naturalmente nos revelam mutações nos rituais criados pelo próprio homem. Tais rituais concentram em si uma necessidade fundamental de existência: de se fazer sentir; de se fazer notar; de se eternizar ações. Perdurando dentre as posteriores gerações. As mutações desenvolvem-se de acordo com as condições existenciais de cada ser, mas concentra sua força na coletividade. Transformando assim as atividades de um determinado grupo adaptável no seu estado comum. Assim a coletividade age como modelador de suas relações com o meio, e de suas práticas rotineiras, onde através de seu fator ativo nas demais camadas sociais consegue influenciar um indivíduo, que passará a adequar-se aos novos mecanismos desenvolvidos pela maioria. Desta forma, a referente pesquisa transcende a uma mera reflexão sobre um bloco carnavalesco, ela tem como núcleo um desses importantes ritos mantidos pela coletividade: O CARNAVAL. E sua proposta é analisar as mutações causadas por essa mesma coletividade na tentativa de adaptar-se a relativos contexto históricos, ou seja, vamos percorrer historicamente pelo carnaval da época lúdica ao tempos modernos. Esta observação nos remete analisar as expressões populares atuais não esquecendo seus processos históricos que modificaram a forma, o modelo, os objetivos e consequentemente o próprio carnaval. De acordo com a seguinte pesquisa, temos o objetivo de discorrer sobre um conceito que remete a uma detalhada explicação dos papeis exercidos pela massa no período carnavalesco, o conceito da pseudo-liberdade. Durante o carnaval, fazendo valer das abordagens de Roberto Da Matta, os papeis socialmente construídos se invertem. A ordem social e colocada em segundo plano, a interação da festa imprime um sentimento de ``liberdade`` nos indivíduos. O próprio sentimento de liberdade, com tempo limitado, exerce um poder implícito que atua como mecanismo de conformidade na população; caracterizando assim, o que entendemos por pseudo-liberdade.
O Novo Ópio do Povo.
A CULTURA CONTRACULTURAL NA FORMA DE MÚSICA
No objetivo de agarrar o maior número de pessoas, as bandas atuais utilizam-se de métodos que descrevem as paixões ou ações de determinado grupo, normalmente classificado como maioria, para marcar sua estabilidade no trabalho com essa procura por identificação. O que acontece é que, enquanto se põe esse método numa sociedade desregrada, não é difícil imaginar que a descrição nas músicas passem a ser o que tal sociedade cultiva por conseqüência. No caso da nossa, a sociedade tem um fator básico da diversão por consumo de drogas lícitas e também muito provavelmente pelas ilícitas.
Sendo assim, a identificação das pessoas – que faz causar naturalmente alegria e diversão por isso – nessa sociedade é musicada sob os temas do álcool, cigarro e demais drogas, bem como os efeitos que as mesmas produzem.
Porém não é normal perceber que as conseqüências e os riscos sejam cantados em mesma freqüência. Pelo contrário, o que se vê são cada vez mais as bandas aprofundando-se nos temas que até antes era digno de não se “curtir”, mas que passam a se banalizar na forma de cultura mais difundida do planeta.
Podemos aplicar este método de análise ainda em qualquer sociedade atual. Utilizei particularmente a cultura “contracultural”, como assimilei chamar essa corrente cultural, do nordeste, do qual sem o exame da mesma, jamais teria essa reflexão. Porém, que se percebam através dessa teoria das paixões da cultura que podemos transpor esse método e obter as mesmas causas, porém com diferenças nas conseqüências, dependendo de que estilo musical se está sendo difundido em determinada sociedade. Se limitarmos esse estudo ao Brasil, cuja nação é dotada de um acervo cultural diferenciado imenso, podemos perceber e regionar, e ainda interligar as questões sociais
Em outros determinados estilos a conseqüência nem chega a afetar tanto uma sociedade, bem como há estilos que não causam tantos efeitos à sociedade e que são inofensivos. Poderia eu dizer ainda que há estilos que não causam tantos efeitos à sociedade e que são ofensivos, mas reflito que, como uma sociedade que cultiva o que a cultura contracultural produz, isso não passaria de uma questão de tempo até que esse “estilo que não causa tanto efeito à sociedade e que são ofensivos” passassem a ser um gosto popular também.
Enfim, para experimentar essa minha postulação que se pode usar esse método em qualquer sociedade, usemos o mesmo no funk carioca atual e vejamos o quanto de riscos futuros pra sociedade podemos encontrar. Afinal, comparando-se uma cultura à outra, o funk não parece tão diferente do forró atual em termos de fácil assimilação popular e (in)conseqüências. O estilo pode ser diferente, mas a causa – atingir o maior número de pessoas que se sintam identificadas com o estilo – e a conseqüência – a não só banalização dessa cultura, mas as mentes novas que podem influenciar, e assim dando espaço a uma criação duma geração bem mais banalizadora que a atual -, são praticamente as mesmas. Eu acredito que para dar uma solução ao antieticismo da nossa atual cultura, que a educação de qualidade assuma papel fundamental na vida das pessoas, uma vez que é de onde a educação se ausenta que essa cultura surge. Afinal, culturas não se extinguem, não se deixam de existir; apenas se transformam naquilo que a sociedade é, pois uma molda a outra alternadamente. Se a sociedade é deficitária em educação, é natural que surjam culturas desregradas e sem nenhum limite de valor ético.
Com uma educação necessária, que por sinal jamais existira no nosso país, é que a cultura pode voltar a ganhar um status que não seja classificado como contracultura.
O QUE É CULTURA CONTRACULTURAL?
Aos meus olhos, a cultura contracultural é um termo utilizado para classificar a cultura gerada onde há a ausência total ou parcial da educação. É uma criação popular que não segue os padrões éticos de uma sociedade, e que por haver em sua característica a ausência da educação, não possui limites nem percepção de suas conseqüências. Sua existência dá, principalmente, pela subsistência financeira que gera, vide os condicionados sucessos do momento em que podemos duvidar que tais músicas sejam absurdos de estarem naquela posição de destaque. Mas é uma cultura como qualquer outra, com suas características distintas e seu direito de existir, assim como uma sociedade existe de diversas formas. Porém, ao levarmos o estudo de tais culturas funcionalisticamente, percebemos que os fatores de expressão de tal cultura é proporcional à ausência de educação daquela sociedade. Seria esta a gênese da cultura contracultural – que nada tem a ver com o movimento artístico do dadaísmo das décadas de 40-50.
Sociologicamente, a ausência de educação numa sociedade provoca profundas raízes que tornam seus indivíduos direta ou indiretamente afetados. Os que mantêm-se, de alguma forma, entre os que detém uma educação necessária para seu desenvolvimento social, de nada lhes garante – pois os mesmos sofrem as conseqüências da ausência da educação que lhes fora ausente (vide universidade pública), tanto pela família como pelo sistema de ensino básico, muitas vezes defasado nas escolas públicas(vide Brasil). Quando não se mantêm, os indivíduos, inseridos no fator falho que lhes fora a educação daquela sociedade, se resumem a determinadas funções, a que seu conhecimento necessário o limitara. Ou seja, ao passo que sua consciência – preparada e desmotivada por sua educação falha – não valoriza a educação, o mesmo se encontrará inserido cada vez menos nas profissões de nível técnico avançado e cada vez mais nas profissões de necessidade braçal ou que se permita fazer com pouco ou nenhum nível técnico. Isso quando, por revolta ou necessidade última, o indivíduo não passe a ser mais um agente criminoso.
Portanto, tal como uma sociedade, a cultura segue os mesmos caminhos. Onde há a ausência da educação, tal cultura será significativamente afetada, com suas próprias características, e suas próprias conseqüências, e ISSO é o que importa sociologicamente.
Já mencionei anteriormente e de forma exemplificada como essa forma pode afetar as pessoas quando usei o exemplo da cultura como a música, forma cultural mais difundida no Brasil. Funcionalisticamente, procurei encontrar ligações entre uma sociedade e a cultura de quem ela se alimenta. Percebi a educação como fator determinante de uma cultura tanto como de uma sociedade, ao passo que uma sociedade está ligada intrinsecamente à uma cultura, e vice-versa. Tentei encontrar respostas sobre como determinados estilos se mantém destacados como “sucessos nacionais” e “regionais”. Talvez seja ainda necessário abordar um outro tema para que nós tenhamos uma visão mais universal sobre o controle da cultura para determinadas sociedades, as tentativas de domá-la para determinados fins; esse tema pode ser encontrado facilmente nos estudos sobre o poder de manipulação da mídia para fins capitalistas e de domação da sociedade pelo estado. A comercialização da cultura, a criação pessoal do ser para a venda são exemplos da finalidade capitalista – e é o que ocorre atualmente com a música e que tenho discorrido então sobre os dois textos que abordam a cultura contracultural. Preferi usar o funcionalismo para denunciar suas conseqüências, tão inconseqüente nas mentes das pessoas que não entendem que tipo de música – de cultura – as gerações atuais e futuras estarão sendo moldadas.
Claudionor Gomes.
Culturas Contraculturais
Minha participação como cientista social me faz procurar entender e explicar o presente, sem a apologia de que existem coisas na sociedade que não fazem sentido. Se não nos é inteligível, ora para outros é, pois foi por esses que o objeto que estejamos falando ainda exista.
Minha visão é essencialmente à procura de uma normatização do agrupamento social, seja ele em que dimensão participar. Mas para se preocupar em normatizar algo, é fundamental - talvez mais até do que qualquer finalidade normativa - conhecer o que se pode ser descrito, seja para ser reaproveitado, criticado, enfim, como base de iniciação sobre qualquer dissertação a respeito do tema.
Não espero ser visto como um contraculturalista; pelo contrário, me preparo a tratar a cultura como uma forma polêmica, se em certos momentos passa a ser cultura ou mera produção comercial sem um fundamento cultural. Mas se cultura pode ser um hábito em geral acolhido pela sociedade, talvez não haja regras sobre o que é ser cultura e o que não é.
Enfim, gostaria de salientar que em certos momentos a cultura parece tão ameaçadora - ameaçadora sim, pois não se pode valorizar a cultura na mente do senso comum que chega a pensar: "Veja o que é cultura, nasce bela e se dimensiona para essa insignificância. Nossa, quanta evolução, hein?" Mas a cultura não evolui, mas para eles sim, e que se escurrace o estudo das culturas enquanto não reconheçam como produtos e só, e não uma produção cultural o que se vê atualmente.
Não pretendo proteger o senso comum, porém a própria cultura atual assume uma característica com aspectos dadaístas - logo pode ser um ponto para que a cultura atual seja considerada uma cultura.
Bom, se a cultura atual é cultura reconhecida, isso não é revoltoso. Mas seu caráter de contracultura - mais devastador que o dadaísmo da guerra pelo fato de ser essencialmente capitalista e agora sem sentido, não por um movimento de crítica artística e sim por não haver nenhuma ênfase poética e de cunho social como antes -, é algo digno de esclarecimentos. Se existissem medições culturais, o que é mais cultural e o que não é, ou qual produção humana é cultura e qual não é, essa contemporânea seria chutada forçosamente para fora de um padrão cultural.
A questão se mantém para os cientistas a favor ou contra a agressão da cultura atual, por ser mais comercial que ideológica, com algum sentido além do dinheiro.
Estamos certos de que os modos culturais se renovam e se invam em todos os momentos. A história comprova isso. Mas minha preocupação atual com a cultura é justamente o fato do caminho que ela está tomando e a influência social que ela exerce.
Mas afinal, é a cultura que guia a sociedade ou a sociedade que guia a cultura?
Sabemos que uma está intrinsecamente ligada à outra que fica difícil responder a essa questão, mas devemos nos abster realmente que acontece os dois. Ou a cultura já existe e torna a sociedade sua existenciadora, ou a sociedade monta uma cultura para se manter como uma sociedade.
Finalmente, a cultura atual se vê entregue ao dinheiro de uma forma tão excessiva que para ela não existe consequências. Na verdade, a omissão da consequência é o que faz tal cultura existir. Músicas diárias com temas ligados à traição, ao sexo sem limites e sem respeito, à ingestão de drogas partem das camadas menos abrangentes da educação no Brasil e se espalham por todo o país, por todas as classes sociais. A explicação desses tipos de músicas serem gerados nas camadas pobres ou periféricas da sociedade reforça minha teoria de que a cultura agora está se formando pela FALTA DE EDUCAÇÃO necessária que se encontra ausente. Pois do contrário, músicas assim sequer seriam vistas com bons olhos (partindo para uma crítica pessoal e sendo assumidamente contra esse tipo de cultura, não consigo entender quais bons olhos podem existir para essas aparições, ou se eu escrevi foi um erro por tentart encontrar palavra equivalente ao que queria demonstrar).
Portanto, para finalizar, cheguei à conclusão que o chamado "sucesso do momento" já foi há anos reflexo da sociedade, a exemplo dos cultos cantos boêmios dos anos cinquenta, dos anos rebeldes da jovem guarda dos anos 60-70, do grito de liberdade dos anos 80 e, dos anos 90 para cá, da venda das letras para o mercado e a transformação da música temática para a música defasada.